sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Oficinas de confecção de tintas e materiais 3

Já andamos nos metendo a fazer suportes e ferramentas para nossos trabalhos, mas o momento mais aguardado era o das tintas, que finalmente chegou!

Fácil entender as crianças e adolescentes: alquimias, melecas e bagunças são sempre adoráveis!

O princípio da brincadeira: desde que tive o desejo de me aventurar nesta busca e confecção dos nossos próprios materiais de trabalho, incentivada pelos meus grupos de artes, eu mesma precisei aprender muitas coisas. Sorte a minha, que sigo me alimentando de saberes e de desafios que fazem meus dias serem sempre diferentes e abarrotados de bons livros, cursos e ótimas surpresas.

Como será que nasceram e ainda podem nascer as tintas?

Lá fui eu com meus grupos visitar o tempo dos homens das cavernas. A história é longa, mas até hoje as tintas, assim como nós, humanos, parecemos nascer da mesma maneira, que muda muito pouco ao longo dos séculos.

É assim: para nascerem algumas tintas precisamos de um pigmento, de um aglutinante e de uma boa e saudável dose de insanidade!

O guache é uma tinta muito comum e que todas as crianças e adolescentes conhecem. Bom começar a transitar pelo conhecido.

Fazer um guache é simples: goma arábica (o tal do aglutinante), pó xadrez (que é o tal do pigmento), um pouquinho de água e uma carga (carbonato de sódio), que empresta consistência para a tinta guache sem interferir muito na vida do pigmento. Se quiser, dá até para colocar uma gotinha de glicerina líquida para um melhor acabamento de superfície quando o guache secar.

O que não é simples é dispor de pó xadrez, carbonato de sódio e glicerina líquida... São produtos que exigem uma ida ao Centro de São Paulo e que não encontramos nas nossas casas.

O desafio: arrumar jeitos de fazer guaches e outros tipos de tintas contando com recursos que estejam mais disponíveis e pertinho da gente.

Pesquisando, descobrimos que o carbonato de sódio pode ser substituído por giz branco comum bem macerado. Pigmentos? Sempre dispomos de terra, café, curry, coloral, sementes e frutas para dar cor às nossas tintas. A glicerina? Mero detalhe.

Além de darmos o pontapé inicial de nossas experiências com a preparação de tintas, estamos reunindo nossas descobertas num catálogo. Pouco a pouco, registramos nossas aventuras no nosso manual, que vai contar com um leque de cores e alternativas para a confecção de tintas tão grande quanto nossa imaginação permitir.




Do guache para a aquarela foi um pulo! A gente acrescentou mais ou menos guache em mais ou menos água e já começamos a encontrar novas tonalidades de tintas e um novo jeito de pintar - mais aguado, delicado, escorregadio, mas é nosso jeito de ampliar nossas possibilidades para traçar e colorir o mundo que vemos.



Trabalho com aquarela.

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