domingo, 6 de setembro de 2009

Oficinas de Culinária

Gosto de cozinhar desde criança. Adorava as tardes que minha mãe resolvia fazer um bolo e pedia para eu ser sua ajudante. Deixava as panelas com comidinhas "de brincadeira" espalhadas pelo jardim e corria para a despensa para buscar a essência de baunilha e levar até a minha mãe, que já estava batendo as claras.

Durante o breve trajeto entre a despensa e a batedeira, eu abria rapidinho o frasquinho de baunilha para sentir aquele cheiro doce e gostoso por mais tempo, antes que minha mãe usasse o ingrediente e eu tivesse que guardá-lo...

Assim, para mim nunca será uma surpresa esse amor que as crianças têm pelo fazer culinário, que envolve todos os sentidos e é, de fato, divertidíssimo.

Foi legal quando comecei a dar aulas de culinária no Projeto e notei que metade da minha turma era composta por meninos, matriculados por livre e espontânea vontade. Não precisei mais do que uma oficina para perceber o quanto pizzas, sanduiches e pães eram atrativos para eles também.

Como não preciso de muito para "entrar na viagem" das crianças, logo comecei a propor que os longos tempos de espera de cozimento dos alimentos fossem utilizados para pensarmos em embalagens e caixas personalizadas para acolherem nossas produções. Pronto, não havia mais espera e, sim, um processo completo, do fazer culinário até a embalagem dos produtos.

E assim vamos caminhando e viajando o mundo: pizzas, pães, sanduiches, biscoitos, saladas de fruta em palitos, tortinhas, quibe... É receita que não acaba mais.




Grupo de meninas colocando a mão na massa para preparar nossas bolinhas de chocolate.


Grupo de crianças e adolescentes enrolando as bolinhas de chocolate e embalando em papel de bombom.


Biscoitos decorados com glacê. Sucesso de público. Muito gostosos.


Enquanto esperamos nossas iguarias cozinharem, criamos embalagens para nossas produções.


Sim, fitas de cetim, massa de biscuit e muitos outros materiais também acabaram entrando na nossa cozinha.


E depois que as comidinhas ficam prontas, lá vão elas rechearem nossas embalagens.


Para cada comida, uma nova criação.


O difícil é manter longe da boca nossas alquimias e guardar algumas nas embalagens para o dia seguinte!

Fantoches

Construir fantoches que dão vida para as histórias inventados pelas crianças ou para os amigos imaginários que nós, adultos, perdemos a capacidade de perceber é outra atividade deliciosa.

O legal da criação de fantoches é o trabalho com costura, que envolve ainda desenho e criatividade.

Mais uma vez é possível reutilizar materiais descartados no meio ambiente. Luvas infantis viram bonecos de dedos, dando às crianças menores oportunidades para criarem personagens para teatrinhos de bonecos. E, pouco a pouco, as crianças conquistam grande autonomia desenvolvendo fantoches.

Crianças maiores e adolescentes aventuram-se em produções mais ou menos elaboradas, de acordo com seu ritmo. Algumas reutilizam aquele lado da meia que ninguém mais encontra o par no armário para transformar em cabeça de fantoche. Outras enxergam mais sentidos em junções de retalhos. E há ainda as que lançam mão de cartolinas e outras técnicas para fazerem bocas, bicos e olhos bastante especiais.



Fantoche feito com costuras, lãs, alfinetes, sobras de tecido e glitter.



Fantoche feito com costuras, lãs, alfinetes, sobras de tecido, fitas de cetim e caneta permanente.



Xilogravura

As xilogravuras costumam ser outra técnica muito apreciada pelas crianças e adolescentes. Originalmente, trata-se da gravação em um taco de madeira. Ferramentas de corte mais ou menos alternativas são usadas para cortar o taco de madeira, conforme a intenção do artista. O processo de gravação acontece com o uso desta matriz em madeira. É uma técnica bastante utilizada para ilustrar a Literatura de Cordel.

O processo tradicional é um pouco difícil para as crianças, seja pela dureza das madeiras, seja pela alta destreza exigida no manuseio das ferramentas de corte.

Mas é possível alcançar um resultado bastante interessante quando substituímos as ferramentas de corte por pontas secas e o taco de madeira por isopor.

Mais uma vez, podemos reutilizar materiais descartados em nossos trabalhos - bandejas de isopor (que comumente embalam queijos e outros frios), pontas de clips, de lápis e todo e qualquer objeto que permita o traçado no isopor.

A parte mais mágica do processo é quando as crianças e adolescentes começam a "carimbar" seus desenhos em papel, cartolina, tecidos etc. É uma etapa bonita e cheia de descobertas, que vão desde a constatação de que as imagens "saem espelhadas" no suporte até a possibilidade quase infinita de reproduções de um mesmo desenho.


sábado, 5 de setembro de 2009

Festas - Decoração/Figurinos/Cenários

Preparar uma festa pode ser tão bom quanto estar em uma!

Mês de junho foi mês de festa junina. Aproveitamos nossas oficinas para criar balões, bandeira dos Santos, fantasias e objetos para caracterização de figuras típicas da festa.



A bandeira dos Santos contou com ajudas de um marceneiro, que produziu uma estrutura para fixar a bandeira num mastro bem alto.

Com a estrutura em mãos, um pequeno grupo de crianças usou como suporte um papelão bem resistente e optou por um trabalho de colagem na madeira estrutural, misturando tecidos, flores de papel crepon, fitas de cetim coloridas e aplicações de imagens disponíveis no mercado.



O teto do espaço onde aconteceu a festa junina ficou coberto de bandeirinhas, confeccionadas por crianças e adolescentes, que utilizaram papel de seda, cola e barbante. Os grandes destaques da festa foram os balões gigantes, feitos pelas crianças também.



Os balões foram feitos com o uso de cartolina como suporte. Alguns bem grandões e outros menores. Tecidos, cola, fitas de cetim e fita crepe foram os materiais utilizados na produção com as crianças e adolescentes.



Como festa junina boa é festa que tem quadrilha e casamento, as crianças e adolescentes ainda trabalharam na confecção de fantasias e objetos para a caracterização de personagens.



Policial e delegado surgiram de retalhos de tecido, que receberam costuras e apliques desenhados pelas crianças para formarem coletes.



O vestido de noiva contou com um grande tecido branco (base), que recebeu uma porção de pequenos tufos de retalhos costurados. Para completar o visual, flores de tecido compradas prontas e arame ajudaram a fazer o buquê e a tiara que prendia o véu.



Colares e pulseiras foram desenvolvidos para ornamentar as convidadas do casamento da festa junina. Tubos vazios de fita crepe (que sempre vão se acumulando com o tempo nas oficinas) ganharam papietagem, pintura e aplique de miçangas, transformando-se em pulseiras. Colares surgiram com a junção de pequenas bolas de jornal amassadas, presas com fita crepe, que antes de receberem a pintura, ganharam ainda uma camada de papietagem e, depois, uma aplicação de miçanga também.


Adolescentes produziram fivelas. Para isso, tivemos uma oficina de fuxicos. Depois de produzirem diversos fuxicos, a montagem das fivelas começou a sair do território das ideias e ganhou o formato de muitas flores, recebendo apliques de lantejoulas e detalhes em glitter.


Festa acabada, a produção e o desejo por objetos de caracterização continuou movendo os trabalhos das crianças e, de tempos em tempos, voltamos a produzir cartolas, blusas etc.

Papel Machê

Uma das técnicas mais interessantes para crianças e adolescentes de qualquer idade.

O divertido preparo da massa de papel machê: o processo é iniciado com o picote de folhas de jornal e revista. Todo papel picotado vai para um balde e fica de molho na água por um ou dois dias. Batemos o papel que ficou de molho num liquidificador para obtermos uma "vitamina de papel". "Bebida pronta", a peneira toma seu lugar no tanque, recebe o papel em forma de "vitamina" e faz sua parte no escoamento da água. O papel que sobra é compactado em pequenos caroços, que precisarão ser desmanchados até virarem pequenas bolinhas.

Agora só é preciso misturar as bolinhas com cola e a massinha está pronta para o uso.




Crianças retirando o excesso de água do jornal batido com água no liquidificador.



Depois de escolher um suporte (no caso, o papelão), o trabalho com a massa de papel machê começou...



E, aos poucos, foi ganhando forma de Medusa, personagem da mitologia.



A garrafa pet serviu para ajudar a dar forma ao corpo desta outra produção. Para a estrutura da cabeça, usamos jornal amassado com fita crepe. Depois foi a vez de passar a massa de papel machê em toda a estrutura (corpo e cabeça) e pintar. Macaco feito!



Aqui, novamente uma garrafa pet serviu de base para a confecção desta boneca, que recebeu lindas formas e cabelos com a aplicação de arames, massa de papel machê e lãs coloridas.


Essas máscaras foram criadas a partir do uso de duas técnicas: papietagem e papel machê. Partimos da escolha de um suporte (papelão), que recebeu aplicação de massa de papel machê para criar os volumes. Depois, entramos com uma papietagem, que serviu de "pele" e deu às máscaras rostos bem lisinhos, como desejavam os autores das peças.


Papietagem

Essa é uma técnica que reutiliza papéis (jornais, revistas etc.) e que pede a produção de uma cola caseira, confeccionada com farinha de trigo e água.

A partir de um suporte (garrafas pet, caixas, embalagens de pizza e até mesmo jornal amassado, que ganha formas com o auxílio de fita crepe), cada criança ou adolescente consegue desenvolver uma estrutura, base de sua produção. Posteriormente, entra a papietagem, que funciona quase que como uma pele que envolve as estruturas, preparando-as para a finalização com pintura. As possibilidades de criação são infinitas...

O processo costuma ser muito gostoso. Fazer a cola caseira e lambuzar as mãos com ela é uma experiência deliciosa. Perceber a transformação dos materiais ao longo do trabalho e ajudar a concretizar as ideias das crianças e adolescentes é algo que traz uma realização enorme para todos.






Crianças papietando a garça.


Garça pronta.


Início de pintura de um ornitorrinco feito com estrutura de jornal, fita crepe e papietagem.


Ornitorrinco pronto.


Peça papietada, esperando para receber a pintura.

As crianças se encantam produzindo suas personagens favoritas de quadrinhos e cartoons.


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Oficinas de brinquedos


Através da reutilização de embalagens descartadas no cotidiano é possível construir uma porção de brinquedos ou objetos de decoração.

Caixa de ovos, sobras de cartolina, tintas e cola ganham nova vida transformando-se em animais.





Rolinhos de papel alumínio, tintas e fios permitiram a produção desta cobra articulada.